O que é a limpeza terminal e a limpeza concorrente?

Inicialmente a limpeza terminal é uma limpeza completa realizada nas instituições de saúde, que visa reduzir as sujeiras e os microrganismos para também reduzir, fortemente, as chances de contaminação e transmissão de doenças. Já a limpeza concorrente é a higienização diária, que é feita com o objetivo de reduzir os riscos de infecção. O procedimento pode ser realizado duas vezes por dia ou sempre que houver necessidade.

Saúde e bem-estar estão ligados à limpeza e higienização. É fato comprovado. Para isso, em ambientes como hospitais, clínicas, laboratórios, entre outros relacionados ao cuidado com o corpo, a limpeza terminal e limpeza concorrente são essenciais para que as medidas de proteção sanitária sejam eficazes e para que os riscos de contaminação sejam os mais baixos possíveis.

Para que pacientes e profissionais da saúde desfrutem de um ambiente seguro, a limpeza hospitalar requer procedimentos e materiais de limpeza específicos para eliminação de sujidades e microrganismos.

O olhar de quem limpa e os procedimentos devem estar apurados, atentos e em constante vigilância para que as condições de higiene sejam sempre impecáveis. Por isso, seguir os métodos descritos nos manuais é tão importante.

Mas o que significa limpeza terminal e limpeza concorrente no ambiente hospitalar? Quais as diferenças entre elas e quais produtos e métodos estão envolvidos? Aqui neste artigo, respondemos a todas essas questões. Se desejar você pode navegar entre os tópicos!

impeza terminal- limpeza concorrente

Sistema de limpeza terminal com pulverizador na limpeza hospitalar

Por que é tão importante a limpeza hospitalar?

Primeiro, é fundamental compreender que, em ambientes hospitalares, há grande chance de transmissão de microrganismos prejudiciais à saúde e que o lugar de cuidar e restabelecer o bem-estar pode ser também de grande risco.

Estudos mostram que infecções causadas por microrganismos resistentes aumentam o tempo de internação, a mortalidade e os custos da assistência médica.

Sabe-se que um espaço ocupado por um paciente pode funcionar como reservatório de microrganismos resistentes, o que favorece a disseminação dos agentes.

De acordo com vários estudos, destacamos o realizado em Massachusetts (E.U.A), há uma associação entre a contaminação do ambiente com Enterococcus spp. resistente à Vancomicina e a infecção ou colonização por esse agente.

Um outro estudo mostrou que a internação em quartos previamente ocupados por pacientes portadores de Enterococo resistente à Vancomicina (VRE) –  um dos principais patógenos causadores de infecções hospitalares – aumentou em 40% o risco de aquisição desses agentes.

Por isso, realizar os procedimentos e as rotinas de limpeza e desinfecção ambiental nos hospitais são ações indispensáveis para a prevenção de doenças e disseminação de microrganismos resistentes.

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limpeza terminal e concorrente

Quarto de hospital após a realização da limpeza terminal

Limpeza concorrente x terminal: entenda as diferenças e métodos

Limpeza concorrente

Agora, vamos aos tipos das limpezas. A limpeza concorrente é a higienização diária, que é feita com o objetivo de reduzir os riscos de infecção. O procedimento pode ser realizado, normalmente uma a duas vezes por dia ou sempre que houver necessidade.

Na limpeza concorrente, para conforto, segurança e higiene do ambiente, podem ser encontradas as seguintes ações:

  • limpeza de objetos das mesas de refeição e cabeceira;
  • higienização das mesas;
  • limpeza do suporte de soro;
  • limpeza de cadeiras e outros móveis;
  • limpeza de travesseiro e colchão;
  • limpeza do banheiros;
  • limpeza de grades, painéis e escadas.

Outra atividade que está inserida nas ações de limpeza concorrente é a higienização de pisos de quartos e enfermarias, corredores, áreas sanitárias e administrativas.

Vale destacar que a limpeza concorrente trata-se de uma limpeza predominantemente úmida e menos completa do que a limpeza terminal.

Protocolo limpeza concorrente de acordo com o Conselho Nacional dos Secretários de Saúde (CONASS):

Classificação de áreas Frequência Observação
Áreas Criticas 1x por dia Data e horário pré-estabelecido e sempre que necessário
Semi Critica 1x por dia Data e horário pré-estabelecido e sempre que necessário
Não-Critica 1x  por dia ou dias alternados Data e horário pré-estabelecido e sempre que necessário
Áreas comuns 1x por dia Data e horário pré-estabelecido e sempre que necessário
Áreas externas 2x por semana Data e horário pré-estabelecido e sempre que necessário

Exemplo básico de limpeza concorrente:

  • Limpeza úmida para todas as superfícies, utilizando baldes e panos de cores diferenciadas (um contendo solução detergente e outro água limpa);
  • Utilização de pulverizadores com solução desinfetante;
  • Em caso de uso de baldes, trocar a solução dos mesmos a cada ambiente;
  • Processo de limpeza no banheiro: lavagem geral básica.

Técnica básica:

  • Iniciar sempre da área mais limpa para a mais suja;
  • Utilizar movimento único, em um só sentido, para  a limpeza de todas as superfícies;
  • Do local mais alto para o local mais baixo;
  • Do fundo para saída do ambiente.

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Limpeza terminal

Como já adiantamos acima, a limpeza terminal é uma limpeza mais completa, que visa reduzir as sujeiras e os microrganismos para diminuir as chances de contaminação.

Ela é realizada sempre após a transferência, alta, internação prolongada e ambiente de óbito do paciente. Além disso, a limpeza terminal também acontece em salas cirúrgicas antes e após o procedimento.

A limpeza terminal se baseia, além das limpezas profundas, também nas emergências e necessidades de todas as áreas hospitalares como as críticas, semi críticas e não críticas e inclui todas as superfícies e móveis.

Assim, todos os objetos do quarto são higienizados – cadeiras de rodas, macas, todos os equipamentos – além de janelas, portas, luminárias e o teto.

Entre as tarefas da limpeza terminal, estão:

  • limpar e desinfectar mesas e suportes;
  • limpar travesseiros;
  • higienizar colchões;
  • limpar a cama;
  • realizar a limpeza de cadeiras e outros móveis do local;
  • higienizar pisos, paredes, vidros e demais superfícies;
  • recolher roupas de cama e higienizar os impermeáveis.

Protocolo limpeza terminal de acordo com o Conselho Nacional dos Secretários de Saúde (CONASS):

A seguir, assista um exemplo de como é realizada uma limpeza terminal.

 

Protocolo limpeza terminal

Classificação das áreas Frequência Observação
Áreas Criticas Semanal Data e horário pré-estabelecido e sempre que necessário
Semi-Critica Quinzenal Data e horário pré-estabelecido e sempre que necessário
Não-Critica Mensal Data e horário pré-estabelecido e sempre que necessário
Áreas Comuns Mensal Data e horário pré-estabelecido e sempre que necessário
Áreas Externas Semanal Data e horário pré-estabelecido e sempre que necessário

 Método básico de limpeza terminal:

  • Reunir e organizar todo o material necessário no carrinho de limpeza;
  • Colocar o carrinho de limpeza do lado da porta de entrada do ambiente, sempre do lado de fora;
  • Utilizar os EPIs necessários e indicados para a realização do procedimento de limpeza;
  • Realizar, quando necessárias, a desinfecção/descontaminação de matéria orgânica;
  • Trocar as luvas para execução das demais etapas;
  • Recolher os sacos de lixo do local;
  • Iniciar a limpeza pelo mobiliário com solução detergente para remoção da sujidade;
  • Realizar o enxágue e, aplicação de solução desinfetante hospitalar Optigerm;
  • Proceder a limpeza da porta, do visor e da maçaneta com solução detergente ou solução desinfetante adequada;
  • Proceder a limpeza do piso com solução do Desinfetante Hospitalar Optigerm ou padronizada no seu hospital;
  • Realizar a limpeza do banheiro, iniciando pela pia, o vaso sanitário e, por último, o piso e ralos (limpar o porta papel toalha, o porta papel higiênico, o espelho, a válvula de descarga);
  • Reorganizar o ambiente;
  • Despejar as soluções dos baldes;
  • Realizar a higienização dos baldes;
  • Proceder a limpeza do recipiente para resíduos, com solução desinfetante, em local específico;
  • Repor os sacos de lixo;
  • Retirar e lavar as luvas;
  • Lavar as mãos;
  • Repor os produtos de higiene pessoal (sabonete, papel toalha e higiênico).

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Classificação das áreas de higienização hospitalar

Apresentadas as características da limpeza terminal e concorrente, vamos citar também os ambientes classificados dentro do espaço hospitalar e de como cada área deve ser cuidada.

Entender a demanda de cada espaço é fundamental para realizar uma ação de limpeza e higienização mais assertiva. Vamos lá?

Áreas críticas

Como o próprio nome já diz, são locais que oferecem maior risco de infecções e onde há maior exposição aos microrganismos patogênicos. Ou seja, espaços nos quais são realizados procedimentos invasivos, como UTIs, salas de cirurgia, clínicas, central de materiais e esterilização, além de cozinha e lavanderia.

Áreas semi críticas

As áreas semi críticas são aquelas ocupadas por pacientes com doenças de baixa transmissão ou com enfermidades não infecciosas.

São ambientes nos quais não há cuidados intensivos, como por exemplo, sala de pacientes e central de triagem.

Áreas não críticas

Por fim, temos as áreas não críticas que não abrigam pacientes e onde não são realizados procedimentos médicos.

Essas áreas são as administrativas e de circulação.

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Produtos de limpeza para higienização hospitalar

Os produtos de limpeza e desinfecção hospitalar – como detergentes e desinfetantes concentrados ou pronto para uso – devem estar de acordo com as determinações dos órgãos responsáveis.

O material de limpeza e higienização deve estar registrado na Anvisa e ter as especificações de acordo com a legislação. Seu uso deve ser consciente e responsável para não agredir os profissionais ou pacientes.

A escolha dos produtos utilizados, tanto na limpeza concorrente quanto na terminal, deve considerar os seguintes critérios:

  • superfície a ser limpa ou desinfetada;
  • tipo e grau de sujidade;
  • tipo de contaminação e sua eliminação (quais microrganismos envolvidos);
  • qualidade da água e sua influência na limpeza e desinfecção;
  • método de limpeza e desinfecção;
  • tipo de máquina e acessórios existentes;
  • nível de toxidade dos ingredientes;
  • interação dos desinfetantes e dos detergentes;
  • medidas de segurança na manipulação e uso.

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limpeza

Limpeza concorrente sendo realizada com pulverizador em quarto de hospital

Superfícies e ambientes hospitalares e grau de contato com as mãos:

Por fim, podemos ainda dividir as superfícies e ambientes hospitalares de acordo com o grau de contato com as mãos para estabelecer os critérios de limpeza. Veja só:

Maior grau de risco, devido ao alto contato com as mãos: bancadas, maçanetas, interruptores, paredes do banheiro, unidade do paciente e outros, por isso a higiene das mãos é muito importante;

Mínimo risco e quase zero contato das mãos: teto, piso, janelas e outros.

Alto nível de risco,  devido ao intenso contato com as mãos, como equipamentos médicos: equipamentos de Raio-X, equipamentos de diálise, carrinhos, monitores, ventiladores mecânicos, bomba de infusão e outros.

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Vamos agora comentar testes e monitoramento da limpeza e de sua efetividade.

Começando com o teste de limpeza ATP.

O que é o teste de limpeza ATP?

O teste de limpeza ATP é uma “ferramenta” que foi desenvolvida para monitorar o nível de limpeza de um ambiente, este é o teste mais conhecido e sua atuação acontece da seguinte forma. Amostras são coletadas por meio de um cotonete específico e submetidas à técnica da bioluminescência, que identifica a quantidade de adenosina trifosfato (ATP) nas superfícies e ambientes.

Hoje em dia existe um produto que é uma ótima alternativa para o teste de limpeza ATP, este produto é o Optiglow. Além de se tratar de uma ferramenta importante no treinamento de equipes. O Optiglow é um kit que possui uma solução em spray composta de um agente que pode ser observado sob luz ultravioleta, com alto comprimento de onda.

Este método capacita e desperta a atenção e o cuidado da equipe de limpeza. Ele também é capaz de identificar falhas no processo e ajudar na elaboração de técnicas mais eficazes de limpeza.

Hygibras: produtos e acessórios para limpeza e higienização hospitalar

A Hygibras é especializada em produtos de limpeza e higiene profissionais que atendem às recomendações dos órgãos responsáveis e oferecem eficácia, segurança e economia nos procedimentos de limpeza em hospitais, clínicas e laboratórios.

Detergentes, desinfetantes, luvas, baldes, cestos, esfregões, mops e todas as soluções em limpeza estão disponíveis para atender de forma personalizada às demandas de higienização em ambientes relacionados à saúde e ao bem-estar.

Entre eles, podemos destacar o Desinfetante Hospitalar Optigerm. O produto é recomendado tanto para limpeza terminal como concorrente.

Trata-se de uma solução segura, com baixa toxicidade e baixa irritabilidade dérmica e ocular e ausência de efeitos genotóxicos e teratogênicos.

O desinfetante hospitalar age sobre um amplo espectro de microrganismos, mesmo na presença de matéria orgânica.

As recomendações de uso e alguns rendimentos são:

  • Na limpeza úmida, realizada com mop ou panos de limpeza.
  • Na limpeza molhada, realizada com enceradeira industrial ou esfregão.
  • Também na pulverização, realizada com spray ou pulverizador – em paredes, mobilias e pisos.

Fontes:

Revista Latino-Americana de Enfermagem

Centro de Vigilância Epidemiológica do Estado de São Paulo

CONASS